por que somos do jeito que somos?
não consigo sequer imaginar onde começa o caminho da autodescoberta, nem onde termina. Coisas que disse e me arrependi horas ou dias depois… ainda fazem parte de mim?
Já me encontrei exatamente nessa mesma situação inúmeras vezes desde a adolescência.
Meu cérebro flui em múltiplas dimensões ao mesmo tempo e no mesmo lugar.
Eu tenho tantas facetas que a real acaba se perdendo, se embaralhando. Na verdade, nem sei se existe uma real. Talvez todas elas sejam eu.
Sinto essa angústia, essa dor quase todos os dias. E então – ela desaparece, assim, do nada. E eu passo os próximos múltiplos e indefinidos dias alegre, tranquila.
Não consigo sequer imaginar onde começa o caminho da autodescoberta, nem onde termina. Coisas que disse e me arrependi horas ou dias depois… ainda fazem parte de mim? Aquela pessoa que fui anos atrás e que hoje insisto tão fortemente que não sou mais – ela ainda está aqui?
Eu sinto. Sinto tudo o que já disse e fiz, tudo o que foi dito e feito comigo, a cada segundo. Sinto porque tudo isso agora também é parte de mim.
Será que é da minha conta quem eu realmente sou? Existe alguma forma de descrever quem nós somos?
Quando nós (eu e quem estiver lendo isso e se identificar) respondemos uma pergunta sobre nós mesmos – nossas qualidades, atributos, defeitos, e por aí vai – estamos dizendo a verdade? A gente sequer sabe mesmo qual é a verdade?
Hoje, me considero uma pessoa
Amorosa
Gentil
Empática
Razoável
Mas… e nas vezes em que definitivamente não sou nenhuma dessas coisas?
Também me considero egoísta,
centrada em mim mesma.
Mas, convenhamos, todos nós somos um pouco. Alguns só têm mais facilidade em esconder ou deixar isso de lado de vez em quando.
Quando eu me sinto de um jeito e não sei o porquê. Quando sinto vontade de vomitar e chorar até dormir no meio da noite, sem nenhum motivo aparente – qual é a explicação por trás disso? O que me move, me impulsiona a agir da forma que ajo – para o bem ou para o mal?
Por que somos do jeito que somos? Por que sinto empatia por alguém que nunca vi na vida? Por que os problemas dessa pessoa ecoam em mim? Como minha alma é capaz disso?
E por que, às vezes, sou tão cruel e egoísta com as pessoas que eu juro tanto amar?
Me pergunto se algum dia serei capaz de conhecer quem vive dentro da minha cabeça, e os motivos dela.
Mas, por enquanto – estou bem com o não saber.
Com não saber e aceitar viver com essa pessoa dentro de mim, aceitar que vou tomar decisões ruins, seguir caminhos errados, ser uma má amiga, filha ou namorada em algum momento, e tentar consertar, tentar mudar. Isso também é parte de quem somos.
Fique bem com o não saber e o que vem pela frente, o que a vida tem guardada pra você, e com o não saber quem você será daqui um, cinco, ou dez anos. Fique bem com viver e enxergar as pessoas que estão vivendo ao seu lado, e valorizar a pessoa que elas acham que você é. Porque isso também é parte de você.
Nunca vamos nos conhecer por completo – e talvez isso seja bom. Talvez seja isso que torna a jornada interessante e digna de ser vivida.
Sentir-se miserável, triste e solitário… faz parte. Mas não é o todo. Também é ficar feliz com as menores coisas, sorrir pra um estranho.
– No fim, somos todos estranhos mesmo.
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“In the depth of winter, I finally learned that within me there lay an invincible summer.”
— Camus
A tristeza e a alegria que se revezam, sobre o não saber, e ainda assim seguir. Dentro da nossa dor, da nossa dúvida, ainda há um verão invencível. E ele volta, mesmo quando você esquece dele.


Ok... Isso aqui é uma obra de arte 😮💨🤍
Esse caminho de autodescoberta é pra sempre! Me fez lembrar muito algo que escrevi aqui: "maturidade: ponto de partida ou ponto final?"